CRÍTICA CURRICULAR DE PROJETO DE LEITURA NO ENSINO REMOTO
UMA ANÁLISE À LUZ DAS PERSPECTIVAS IDEOLÓGICA E DECOLONIAL
Palavras-chave:
Currículo escolar, Ideologia, Decolonialidade, Leitura e Escrita, PandemiaResumo
Este artigo analisa a proposta pedagógica “Dia de Ler todo dia”, apresentada durante o ensino remoto emergencial por meio de um produto audiovisual concebido segundo a estética de uma live simulada. Desenvolvida com nove turmas do 9º ano do ensino fundamental de uma escola pública estadual de Ariquemes, Rondônia, a atividade organizou-se em torno da leitura de Maus: a história de um sobrevivente, de Art Spiegelman, e articulou cinco componentes curriculares. Trata-se de pesquisa qualitativa, documental e retrospectiva, cujo corpus é constituído pelo produto audiovisual institucional utilizado na apresentação e no desenvolvimento da proposta. A análise orientou-se por três categorias: concepções de conhecimento, currículo e formação; saberes, valores, sujeitos e experiências privilegiados ou invisibilizados e relações de hierarquização epistêmica; e relações entre seleção curricular, colonialidade do saber, universalização de conhecimentos e formas de participação estudantil. Os resultados evidenciam a valorização da leitura literária, da memória histórica e da formação ética, mas também uma assimetria epistêmica na organização dos conhecimentos. A atividade previa formas de participação processual e interpretativa, sem evidenciar participação curricular e epistêmica em sua elaboração inicial. Conclui-se que sua ampliação decolonial requer, além de maior pluralidade de saberes, relações menos hierarquizadas entre conhecimentos e sujeitos.
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