A COZINHA COMO ESCRITA
PALIMPSESTO DA MEMÓRIA FEMININA EM MEU LIVRO DE COZINHA, DE CAROLINA NABUCO
DOI:
https://doi.org/10.22533/omij.v7i1.459Palabras clave:
Receitas Culinárias, Memória, Autoria Feminina, Carolina NabucoResumen
Este artigo analisa Meu livro de cozinha (1977), de Carolina Nabuco (1890-1981), com o objetivo de investigar de que modo a obra articula memória, escrita e gênero, ressignificando o estatuto das receitas para além de sua função utilitária. Partindo da hipótese de que a escrita culinária pode ser lida como um palimpsesto cultural, no qual se inscrevem subjetividades, afetos e relações de poder, o estudo examina a materialidade do livro (organização textual, iconografia, léxico e estrutura das receitas), bem como os modos de narrar que atravessam o texto. Argumenta-se que a cozinha, tradicionalmente associada ao espaço doméstico e à subalternidade feminina, revela-se como lugar ambivalente: ao mesmo tempo em que preserva tradições, reconfigura modos de inscrição cultural e de autoria feminina. Por fim, o artigo busca contribuir para o reconhecimento de Meu livro de cozinha como texto significativo no conjunto da obra de Carolina Nabuco e como fonte relevante para a compreensão das relações entre memória, gênero e cultura.
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